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O presente trabalho é um estudo ontológico do corpo teatral, corpo sui generis, lugar do qual nasce todo o processo de construção de uma poética para a cena. Esta proposta abrange a definição do corpo Zero, a partir da experiência do pesquisador com o Training do grupo multicultural de pesquisa teatral, Ponte dos Ventos, fundado pela atriz dinamarquesa Iben Nagel Rasmussen, do Odin Teatret, e do registro e análise de suas práticas. Corpo Zero, como uma analogia do território onde se localiza a imanência do corpo humano vivo, e como este corpo primevo funciona como lócus que o ator se apropria para construir um ente poético. Para tanto, faz-se uma abordagem profunda do conceito de energia, atrelado às ciências duras, à fenomenologia, à filosofia e à teoria da análise e da produção artísticas, perseguindo maneiras de como reconhecer esse corpo Zero. Neste último, a energia é pensamento, atrelada ao esforço, é movimento, conhecimento e potencializa a presença do corpo do ator, transformando-o em entidade poética.  

Palavras-chave: Energia, corpo teatral, corpo Zero, presença, corpo poético, Training, Ponte dos Ventos.

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This research proposes an ontological study of the theatrical body - corpus sui generis-, from which the whole process of building a scenic poetics is born. This proposal encompasses and frames the notion of corpus Zero, based on the author’s long-term experience of the Training of the multicultural theatre research group The Bridge of Winds, founded by Danish actress Iben Nagel Rasmussen of Odin Teatret, which is articulated through the recording and analysis of the group's practices. corpus Zero acts as an analogy for the territory in which the immanence of the living human body is located, and for how this primeval body functions as the locus that the actor appropriates to build a poetic state of being. To this end, the concept of energy is analysed in depth, through connections to the hard sciences, phenomenology, philosophy and the theory of artistic analysis and production, in order to investigate how this corpus Zero can be recognised and cultivated. In terms of this process of cultivation, energy is related to effort, it is movement, and (embodied) knowledge, which enhances the presence of the actor's body, transforming it into a poetic entity.

Keywords:  Energy, corpus Zero, presence, poetic body, Training, The Bridge of Winds

APRESENTANDO O SUMARIO

SUMÁRIO    

1. PRELIMINARES ..................................................................................................... 15  

1.1 O CORPO TRANSPARENTE DE IBEN NAGEL RASMUSSEN ..............................15

1.1.1 DE COMO ME TORNEI UM VENTO................................................................. 22

1.2 INTRODUÇÃO. .................................................................................................... 26

1.2.1. SISTEMA CONCEITUAL. ................................................................................. 31

1.2.2 PRÉ-EXPRESSIVIDADE ..................................................................................... 31    

1.2.3 MULTICULTURALIDADE, TRANSCULTURALIDADE,

INTERCULTURALIDADE ........................................................................................... 33

1.2.4 PRINCÍPIOS-QUE-RETORNAM ........................................................................34

1.2.5 TERRITÓRIO, DESTERRITORIALIZAÇÃO, RETERRITORIALIZAÇÃO, RIZOMA.35

1.2.6 JOGO ................................................................................................................ 38

1.2.7 O CORPO-LABORATÓRIO ............................................................................... 40            

  1. PONTE DOS VENTOS: UM GRUPO NÔMADE DE PESQUISA TEATRAL ......... 55

2. O TRAINING DO GRUPO PONTE DOS VENTOS.................................................. 64

2.1 TRAINING ............................................................................................................ 64

2.2 A ENERGIA .......................................................................................................... 70

2.2.1 ENERGIA PRIMORDIAL ................................................................................... 77

2.2.2 CORPO 1 .......................................................................................................... 79

2.2.3 CORPO 2 .......................................................................................................... 80

2.2.4 RELAÇÃO CORPO 1 / CORPO 2 ...................................................................... 81

2.2.5 FELINEZ ............................................................................................................ 83

2.2.6 ENERGIA RELATIVA ......................................................................................... 85

2.2.7 CORPO ZERO .................................................................................................. 87

2.3 AQUECIMENTO .................................................................................................. 90

2.4 DANÇA DO VENTO ............................................................................................. 96

2.4.1 INÍCIOS E PREÂMBULO: O APRENDIZADO .................................................. 96

2.4.2 O VOO NA DANÇA DO VENTO ......................................................................101

2.4.3 INTERAÇÕES NA DANÇA DO VENTO / AS AÇÕES FÍSICAS...........................102

2.4.4 ESTRUTURAS DE JOGO NA DANÇA DO VENTO .......................................... 110

2.4.5 OS PASSOS COGNITIVOS / MULTICULTURALIDADE .................................. 116

2.4.6 DANÇA DO VENTO E A FILOSOFIA OU PENSAMENTO .............................. 119

2.5 SLOW MOTION ................................................................................................. 122

.2.5.1 MONTANHAS ................................................................................................ 128

2.6 OUT OF BALANCE ............................................................................................. 132

2.7 RESISTANCE OU VERDE ................................................................................... 143 

  1. SAMURAI E GUEIXA ......................................................................................... 149

3. TRAINING E CRIAÇÃO ........................................................................................ 161

3.1 O SILÊNCIO DOS VENTOS .............................................................................. 166

3.2 PENSAR COM O CORPO ................................................................................. 167

3.3 PENSAR COM AS AÇÕES ................................................................................. 169

3.4 PENSAR COM A ENERGIA ............................................................................... 173

3.5 ENERGIA, CORPO, PRESENÇA ......................................................................... 176

3.5.1 ONDE RESIDE A PRESENÇA .......................................................................... 181

3.5.2 PRESENÇA/VIDA .............................................................................................183

3.5.3 PRESENÇA/ALTERIDADE ............................................................................... 187

3.5.4 PRESENÇA/POÉTICA ...................................................................................... 190

3.6 O LEGADO DO CORPO TRANSPARENTE ......................................................... 193

BIBLIOGRAFIA ......................................................................................................... 195

AGRADECIMENTOS

 

Agradeço, primeiramente, à Vida, que me dá a possibilidade não só de vivê-la, mas também de observá-la com o mesmo olhar que ela me ofereceu. 

Agradeço a Iben Nagel Rasmussen, por me abraçar e permitir estar ao seu lado nestes 15, dos 30 anos do grupo Ponte dos Ventos. Pelo seu carinho, seu olhar sincero, sua inquebrantável condição de grande mestra e por todos os ensinamentos, eternamente, obrigado.

Agradeço, infinitamente, a Antônia Pereira Bezerra, querida Dinah, minha orientadora, que, primeiramente abraçou meu projeto de pesquisa e deu início de forma silenciosa e delicada, nessa atitude sigilosa, própria das grandes conselheiras, a uma arrumação dos meus pensamentos, fortalecendo minha viagem por este mar de saberes, nesta estreita e funda canoa.

Agradeço imensamente à banca examinadora conformada por Patrick Campbell e Eliene Benício, ambos contribuíram sobremaneira para potencializar esta dissertação.

Agradeço ao Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia e a todos os professores com os quais tive a honra de intercambiar saberes, assim, agradeço também a todos os meus colegas de mestrado e especialmente os de Orientação Virtual, Adê Argolo, Kátia Letícia Costa Santos e os doutorandos Aroldo Fernandes e Erick Naldimar Santos. 

Agradeço a Rafael Magalhães (Rafa), pelo amor e cuidado e por me dar a possibilidade de habitar esta terra maravilhosa de Salvador, Bahia, pela sua valiosa contribuição servindo como modelo nas imagens presentes neste trabalho, a ele e a Ricardo Pereira, muito obrigado pelos alimentos do corpo e da alma em tempos de total solidão.

Agradeço a Eugenio Barba que, no ano 2007, cedeu-me, generosamente, quinze livros da livraria do Odin Teatret e que hoje muito têm servido à minha pesquisa. Obrigado, Eugenio, pelos encontros, por sempre estar por perto embora longe, e por encorpar a minha biblioteca, com tanto carinho, maestria e sabedoria.  

Agradeço à amiga Elena Floris, musicista italiana do grupo Ponte dos Ventos e do Odin Teatret, por dedicar seu tempo a traduzir, em partituras musicais, os cantos utilizados no Training.

Agradeço à grande amiga e revisora deste trabalho, Marlucia Mendes da Rocha que, como sempre, soube ter a paciência da grande mãe protetora e o sorriso largo que oferece amor e confiança.

Agradeço a Francesco Galli, diretor teatral e fotógrafo, o qual nos cedeu a maioria das fotografias presentes neste trabalho e os vídeos e filmes que enriquecem esta pesquisa.

Agradeço a todos os colegas e integrantes do grupo Ponte dos Ventos, àqueles que deixaram suas contribuições e seu legado e não se encontram mais conosco, também àqueles que continuam construindo uma história, que fortalece a visão de um teatro que fala a partir da vida, sem fronteiras de países e raças, e pelas contribuições com suas entrevistas e escritos, a: Carlos Simioni (Brasil), Tippe Moslsted (Dinamarca), Lina Della Rocca (Itália), José Yabar Masias (Peru), Franco Acquaviva (Italia), Nikolaj de Fine Licht (Dinamarca), Guillermo Angelelli (Argentina), Petra Lindblom (Suecia), Tina Nielsen (Dinamarca), Isabel Ubeda (Espanha), Antonella Diana (Itália/Dinamarca), Neti Storm (Finlandia), Sandra Pasini (Itália/Dinamarca), Hisako Miura (Japão/Dinamarca), Tatiana Cardoso (Brasil), Rafael Magalhães (Brasil), Caroline Beering (Dinamarca), Francesco Galli (Itália), Francesca Romana Rietti (Italia), Michel Weiss (Austria), Annemarie Waagepertersen (Dinamarca), Anna Stigsgaard (Dinamarca), Hazal Selcuk (Turquia), Mika Jussela (Finlândia), Wu, Wen Tsui (Taiwan), Ylva Jangsell (Suecia), Giovanni Zolin (Italia), Katarsyna Mazimierczuk (Polônia), Iza Vuorio (Polônia/Finlândia), Signe Gravlund Thomsen (Dinamarca), Jiada Filippetti (Italia), Jori Snell (Netherlands/Dinamarca), Elena Floris (Itàlia), Sofia Monsalve (Colômbia), Emilie Molsted e Frida Molsted (Dinamarca), Adriana la Selva (Brasil/Bélgica), Yteng Ding (China), Miguel Jerez (Espanha), Marcos Rangel Korlowski (Brasil), Rodrigo Carinhara (Brasil), Pernille Abildgaard Ullmann (Dinamarca) e ao finlandês  Sebastian Kaatrasalok, In Memoriam.

Agradeço aos amigos Romualdo Lisboa e Tania Barbosa, por me darem sua casa, que já é um teatro, como sala de parto das primeiras 60 páginas escritas desta pesquisa.

Agradeço a todos os atores com os quais trabalhei nestes 17 anos no Brasil, eles enriqueceram meus conhecimentos na arte da direção e da atuação, todos em sua medida, com seus corpos e suas histórias: Andrea Mota, Rafael Magalhães, Viviane Sotomaior, Virgílio Souza, Mário César Alves, Carla Teixeira, Tiago Chaves, Diana Ramos, Caio Rodrigo, Claudia di Moura, Lúcio Tranchesi, Evelin Buchegger, Evana Jeyssan, Uerla Cardoso, Daniel Farias, Luísa Muricy, Simone Brault, Urias Lima, Jefferson Oliveira, Jorge Santos, Fernando Santana, Danilo Cairo, Antônia Pereira, Bárbara Pontes e Milena Pitombo.

Agradeço a Guillermo Angeleli, por me abrigar no seu lindo apartamento em Buenos Aires, permitir minha entrevista particular e outros afagos.

Agradeço a Tatiana Cardoso, por me receber uns dias na sua amada Porto Alegre, em pleno frio, com seu doutorado nas costas, e me ajudar na surpresa dos despertares da minha pesquisa. Taty, eternamente agradecido.

Agradeço à amiga pesquisadora Beatriz Rizk, pelos seus conselhos sobre pesquisa, pelo seu amor incondicional.

Agradeço a Francesca Romana, por se oferecer a cuidar com carinho e ajudar em tudo o que for preciso desde a Universidade de Roma.

Agradeço a Theophile Choquet que, desde Paris, com amor, colaborou com alguns diálogos e imagens de Antonin Artaud.

Agradeço à família linda que ganhei no Brasil e que sempre me dão todo o apoio: Mamãe Dona Antônia, Irmã Rita Trocoli, Pai Raimundo Trocoli, Sobrinha Renata Trocoli e Sobrinho Gabriel Trocoli.

Obrigado Paulo Atto e Anne Catarine, pelo amor eterno, pela força constante, pelos desmandos e pela luz do Átila.

Agradeço a Gil Vicente Tavares,Adriana la Selva e Patrcik Campbell, por serem amigos e insistirem na minha incursão no universo acadêmico.

Agradeço a Hilda Nascimento, pelo amor e empréstimo de tantos livros.

Agradeço a Ana Elizabeth Marback (Bety), pelo seu eterno amor e questionamentos sobre o projeto.

Agradeço a Erick Naldimar Santos, pelos conselhos, o amor e por aguardar o passar das tormentas.

E, por último, agradeço àqueles por quem eu consigo trabalhar e me dedicar ao Teatro, com paz no coração, no desterro, em lugares longínquos, eternamente grato aos meus irmãos, Mario Yamil Alonso e Julio Cesar Alonso, pelo amor que oferecem à nossa mãe.

"O caos da linguagem representa o caos repentino da existência humana, a existência deles num mesmo espaço-tempo.   A desordem como sinal prévio da demolição, do colapso ao vazio. Neste ponto, restauramos esse vazio. O vazio como um valor e não como uma perda. O vazio, na arte de hoje, corresponde ao espaço da criação, a desautomatização da linguagem e o surgimento da nova obra"..            Luis Alonso-Aude

Assessoria de Imprensa. Doris Veiga Pinheiro.T.(71) 9 8896-5016