Revista Boca de Cena n2. 

A Revista Boca de Cena – nº2 se apresenta com novo formato na sua estrutura interna de seções, contemplando dessa vez entrevistas e memórias que contribuem de maneira eficaz ao diálogo, processos criativos, estéticos, éticos de pensar e agir em coletivo assim como resguardar aquilo que tem sido belas pinceladas de contribuição às artes cênicas no percurso histórico do teatro na Bahia.

 

As entrevistas estão centradas em personalidades que têm contribuído de forma eficaz para a perpetuação e crescimento do teatro, tanto na Bahia quanto fora do Brasil, não primando por uma linha estética/ética de relacionamento destas personalidades com o teatro, mas abrindo espaços de diálogos permeando os diversos caminhos que podem ser trilhados no nosso inacabado oficio. Por outro lado, apresentamos pela primeira vez uma diversidade de formas e modos de produção do teatro de grupo na Bahia que se constituem num panorama abrangente, porém sem a pretensão de esgotá-lo, com a intenção de dar seguimento nos números posteriores desta revista, dando espaço assim a novos grupos teatrais. Neste sentido, as experiências dos grupos aqui apresentados, Oco Teatro Laboratório, Vilavox, Finos Trapos, Ateliê Voador, Viansatã e Teatro Máquina trazem elementos fundamentais para a reflexão sobre esse modo particular de produção teatral, momento no qual estamos assistindo a uma espetacularização da banalidade e a um esfacelamento desenfreado das relações humanas. Relações estas que são a base de toda a essência teatral que sobrevive do encontro com o humano: o demasiado humano.

 

Em Interações, artigos como os de Meran Vargens, Cristiane Barreto e Leonel Henckes, fazemnos refletir sobre os processos criativos, de formação e de recepção do espetáculo teatral, somando assim novas contribuições e provocações para um bom papo sobre as artes cênicas. Literatura Dramática traz desta vez a publicação de dois textos inéditos. O primeiro de Gil Vicente Tavares, Os Amantes II, estreado no ano 2006 e que teve leitura dramática em Roma, Itália, no próprio ano antes da estreia na Bahia. A segundo produção é um texto de Paulo Atto, A Conferência, espetáculo estreado pelo Oco Teatro Laboratório no ano de 2013.

 

Uma seção especial ao longo da revista vai revelando aos poucos as nossas últimas ausências do teatro baiano, aquelas ausências irreparáveis as quais transcenderam para a memória da nossa arte como colegas que souberam oferecer toda sua vida ao oficio de pensar, agir e sonhar em formas artísticas. Esta seção, com o nome de Memórias, pretende homenagear, a cada número, personalidades teatrais baianas que nos acompanharão para sempre. E não poderia deixar de citar aqui, neste primeiro numero do ano 2014, os 50 anos do Odin Teatret, a quem fazemos uma homenagem simbólica nesta edição através da entrevista que abre a nossa revista e com a distribuição do suplemento que acompanha esta impressão. Assim como, os 30 anos de carreira artística de Frank Menezes que tem levado o belo ofício do comediante e o grande ímpeto do ator não somente aos palcos baianos, mas também às telas de cinema e televisão do Brasil. Parabéns Odin Teatret e Frank Menezes. Vocês se tocam no ponto no qual nós nos tornamos mais fortes como criadores e como seres humanos, na nossa persistência e na nossa dignidade de seguirmos fazendo arte apesar da ausência de cuidado com os artistas e de uma sociedade tão convulsa como a que vivemos

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