Cultura em Salvador. Entre Politicas de Estado e Eventos-Shows da Prefeitura

May 14, 2014

O mais importante nestes momentos é sermos honestos conosco e com a Arte.  

A Voz de um Artista de Teatro.  

 

Não pretendo com este curto escrito gerar discussão alguma relacionada com poderes públicos, nem portar bandeiras na briga partidária que se aproxima em ano eleitoral. Também não é o meu interesse fazer apologia a alguma personalidade nem tentar desconstruir a imagem de algum dos nossos representantes administrativos. Também não há intenção de aprofundar em cada caso, para não cometer o erro de que este escrito deixe de ser uma provocação ao pensamento e se converta em um ensaio  sobre a política cultural em Salvador nos últimos 12 anos.  Este curto escrito é um espaço de verdades e transparências, só isso.

 

 VERDADE 1, Meus inícios em Brasil, ano 2002, quer dizer, 4 anos para me acomodar na antiga gestão de cultura na Bahia. Em um estado tão rico e múltiplo culturalmente não conseguia enxergar nem grandes apresentações, nem grandes propostas, nem número expressivo de produções teatrais de qualidade na cidade de Salvador. A cifra de 70 espetáculos em apresentação que tanto já escutei, .não alcancei a assistir. A FUNCEB daquele tempo gestada por Armindo Bião negava constantemente apoio em pequenas solicitações relacionadas com ajudas logísticas no caso de passagens alegando; não é considerado de notoriedade o projeto que precisa apoio de passagens. Existia naquele momento um grande evento das artes cênicas, de grande porte, Ateliê de Coreógrafos, que aliás nunca devia ter desaparecido. No entanto não existia um evento internacional de teatro e outros de dança que pudessem gerar o desconforto habitual e necessário naqueles que por ventura venham ser os únicos possuidores de apoio institucional para produzir arte e eventos desta natureza. Nos últimos 4 anos da gestão anterior a esta que vivemos hoje, de 8 anos, não foi criada uma política cultural a longo prazo, sólida. Se tivesse sido gerada, ela com certeza teria tido força suficiente para poder exigir e  dar continuidade a ela mesma. O que me faz deduzir que os problemas com a diminuição dessa produçao de 70 espetáculos que já ouvi e li tanto nestes últimos meses já vinham se instalando desde a gestão anterior a estes 8 anos.  

 

VERDADE 2. Toda gestão comete erros pequenos e grandes erros, o ideal é não perdermos a memória. Diferente daquela gestão que não deixou uma política cultural sólida para todos os criadores, a gestão do primeiro Secretario destes últimos 8 anos foi no mínimo e com todos seus problemas e controvérsias, uma gestão que fragmentou o favoritismo e ensinou aos artistas e produtores culturais que o dinheiro público é de todos e que merecíamos conhecimento de como o dinheiro público devia ser distribuído. Com suas nuanças, erros e tropeços, aquela gestão permitiu, de fato, que hoje possamos estar questionando essa repartição, dados dos quais éramos desconhecedores na gestão anterior a estes 8 anos, sem poder algum de questionamento. Essa primeira gestão destes últimos 8 anos apostou na política de editais, da qual muitos somos contra, no entanto não conseguimos enxergar nem propor outra maneira de distribuir a verba para os criadores, para exigir assim de forma justa e gerar produções de qualidade, nos convertendo em meros questionadores e críticos. Na segunda gestão destes últimos 8 anos, acentuou-se o erro de dar continuidade aos editais e de continuar não tendo em conta o mérito e histórico dos artistas, se priorizando a especialização em elaboração de projetos e no cumprimento de processos burocráticos na hora da inscrição, priorizando o tecnicismo que gera números ao trabalho criador. O segundo gestor destes últimos 8 anos é um desconhecedor total de processos criadores e impõe uma política de cultura como conceito antropológico, sem dialogo, o ultimo gestor destes 8 anos vem se aliando tanto a políticas federais cheias de falhas quanto ao movimento que enxerga a política cultural como aquelas de assistência social tão conhecidas. Com esta última gestão, a qual tem sido tão pouco questionada em comparação com a anterior dos primeiros 4 anos destes 8, os artistas esperávamos fosse criada uma lei ou leis que nos amparassem e cuidassem do nosso destino como criadores. Essa política não foi gerada e o festival de editais cresceu consideravelmente, crescendo assim a demanda e não a oferta de apoio. Mas por outro lado essa demanda talvez, é muito provável, já existisse, só que ela estava oculta nos meus primeiros 4 anos no Brasil, pela,paralização que gerava aquilo de muito para poucos e nada para muitos A gestão do governo destes últimos 4 anos tem sido surda às críticas e cega nos questionamentos, no entanto, sou testemunha, que ainda criticando e questionando tenho sido contemplado em editais e continuando a ser apoiado em eventos, um sinal de exercício democrático.  

 

VERDADE 3. A gestão de estado é responsável por gerar uma política cultural global para o estado como um todo, incentivar a produção cultural no interior e cuidar de políticas públicas voltadas para as artes. No entanto, não seria prudente começarmos a revisar as obrigações que os municípios deveriam ter nas suas gestões referente a políticas culturais? Não seria prudente começarmos a chamar a atenção a uma cidade como Salvador, a Primeira Capital do Brasil, para exigirmos uma Secretaria de Cultura independente do Turismo? Não seria prudente chamarmos a atenção à responsabilidade que o município como Salvador deveria ter na criação de políticas culturais, uma vez que em já quase ano e meio o que enxergamos é uma gestão municipal de eventos e shows? Em 12 anos não tenho assistido movimentação alguma em gestão pública na cultura pela prefeitura do município de Salvador, em 12 anos não vejo esta Prefeitura pensar a cultura e estamos falando de uma cidade de mais de 2 milhões de habitantes, a terceira maior do Brasil e com um belíssimo slogan da gestão atual: (repetindo) Primeira Capital do Brasil. Isto me faz lembrar as Leis de Incentivo nas Artes em São Paulo, terceira cidade do mundo, as quais foram criadas nos últimos 12 anos de Prefeitura, é só revisar a historia.  Penso que deveríamos sermos justos conosco, com todos nós, e começar a questionar as gestões todas das quais dependemos para poder produzir e fazer arte. Sem ressentimentos, sem partidarismos e sem bandeiras que no final  o que fazem é continuar abrindo portas para a má produção, a distribuição errada e o provincianismo que povoa a arte teatral em Salvador.  

 

Um verdadeiro artista já é político e não levanta bandeiras que não sejam as da sua própria arte.  

 

Luis Alonso  - Buenos Aires, 12.05.2014

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